sexta-feira, 19 de outubro de 2007

abcesso

ser uma moeda
cunhada com a tua esfinge
e não ter qualquer valor

ser um corpo febril
tatuado de desejos teus
e não os conseguir entender

enfim, ser um abcesso
na minha própria alma,
repleto de fracassos meus.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

O

Aqui,

onde se suspende o universo,

Tudo muda,

lentamente e sem cor

Tudo se dissipa nas tempestades em nos.

O Mundo perde o lugar

ao acordar na manha dos teus olhos;

Cortas me o coração...

È o vazio das horas que passam sem ti,

o silencio de querer gritar o teu nome..



Aqui,

sò nos teus braços a vida começa.

Fim

Ja nao te tenho a ti

fonte dos meus olhos;

O meu corpo perde a rara vontade de viver.

A ti,

Deixo te as Noites que por nos choras te,

nas horas em que me encontravas numa morte lenta..

A ti,

Deixo te todos os sonhos

que nao chegaram a amanhecer,

as Vidas que ficaram por viver.

Deixo te as palavras

Nos poemas que te escrevi..
A ti,

Deixo te os gestos

os momentos.



A vòs...



a minha dor.

Antes

Fala me de ti,

Das lagrimas que pisaste e escondeste

Das paixoes que tiveste

E das vezes que te mataste para nao as ter..



Fala me de mim

e de como me esqueci de ti.

Fala me dos teus dedos de manha fria,

Dos teus beijos de mil palavras.

Acorda me no fogo dos teus sonhos

No mar imenso da tua Alma.



Fala me de nos,de nos,de todos nos,

e de como nunca fomos um...

Partida

Senti nostalgia
e dor no peito,
o sentimento
de perda voltara...

Ouvi teus passos,
vi tua sombra
caminharem para longe
de mim, e eu

entre gritos mudos
e cegas imagens, caí por terra
e sem saber onde ir
saí em direcção ao sol...
parti...

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Nas asas da noite


Deambulando nas asas da noite
Sinto-me à deriva
À deriva de tudo

Olho para ti
Vejo-me a mim próprio
Toco-te,
Acaricio-te,
Abraço-te,
Beijo-te!
Em sonhos,
Apenas em sonhos
Sonhos e quimeras

Oh, quimeras essas
Que me fazem viver na ilusão
Viver a minha ilusão
A ilusão de te ter
A ilusão que me cega.

És a querença
Que me ofusca a realidade
Esta lúgubre realidade
Que te afasta de mim
Que me inunda em lágrimas
Lágrimas noctívagas

Oh, lágrimas
Oh, falsos sorrisos
Cada vez mais custosos
Mas sorrisos que me iluminam
Que me acedem o coração
Que me aquecem a alma
Que me fazer voar
Até que a noite chega
E tudo recomeça
E tudo se apaga
Novamente
No negrume da noite.

Inspiração invertida

Apagam-se as luzes
Com as estrelas
Encaixadas nos quebra-nozes.
A noite enfeita-se de negro
Porque as memórias
Só dão filhos na escuridão
E a lua é a madrasta má
Dos meus sonhos de encantar.
Fecham-se os olhos
Porque o dia
Tem luz a mais
Para leres estas linhas tão sombrias.
Morram as sombras
Que as paredes querem-se nuas!
Deita-te no chão…
Quero ficar a desenhar a carvão
O teu corpo vestido de asfalto
até ficar sem pilhas nos dedos.


Tens ganas pelo limite?
Então saltamos os dois despidos de miolos
daquele penhasco afiado
De onde gritei um nome esquecido
3 vezes sem o cansar.
Depois deixo que
Grites 5 vezes o meu novo nome
Quando o chão nos abrandar a queda
E te partir os dentes.
Não acreditas nas minhas doces promessas?
Não tenhas medo de me deixares com feridas profundas
Porque há muito que a escuridão
Esfola-me os joelhos.
E se é verdade que nas minhas veias
O sangue corre com pressão alta nas despedidas…
É mentira dizer que o meu coração explode
Só porque tu também me vais dizer adeus no fim da corrida.
Já rasguei muitos quilómetros
Com ele em bicos de pés…
Chegar a ti
É só mais um metro de alma perdida.


Porque me perfuras o ventre
Com flashes lânguidos
E não me abres à queima-roupa?
Odeio esperar desejos
Com a saliva batendo-me à porta!
Dizes que estou a chorar?
E então?
Bebe-me as lágrimas num copo
E imagina-me a soltar gargalhadas pelo nariz!
Eu tenho espaço na minha boca
Para os teus beijos
E quero-os já!
Hoje a poeira do chão
É só minha…
Amanhã serás tu o pó
Que ficará por soprar.