quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Censura


Á liberdade de expressão, aos ditadores e aos artistas

Viver aprisionado…
Em nos…
Num mundo que afinal
Será mundo?

A censura
Pelos mal amados
Destrói o artista
Destrói o luar
Rouba beleza aos pormenores!

Grito por indignação
Grito pela diferença!
Grito por tudo aquilo
Que afinal,
Perco a oportunidade de ser

Explodir a um universo
De artistas aprisionados!
Desfazer em mil bocados
Estereótipos inacabados
De uma sociedade de consumo!

Oh, supressão imperfeita
Ter que guardar
As palavras
E as artes
Que embelezam o cinzento
Das cidades perdidas

Fantasmas do passado
Oh, á tanto perdidos!
Abri os cofres
E os corações
Para ouvir palavras puras
Guardadas á demasiado tempo
Na escuridão do silencio

Lutar pela diferença!
Ser alguém, ser a expressão!
Um poema á liberdade
A ditadura
A repressão
Mas sobretudo
Uma homenagem aos ARTISTAS CENSURADOS

Passeios pela Lua


descobri a perfeição
em ti...
aquele sol
sem quase soltar
mais alguma restia de luz
beijou-me a testa
benzendo-me.

e aquela lua que surgiu
guiada pela beleza dos anjos
transformou-se num tudo
que talvez fosse nada

sorri para aquele luar prateado
que me aconchegou...
e peguei na tua mao
que me fez abrir umas asas
(quase mortas pelo tempo)

senti a pedra fria
o gelido sopro da felicidade.
as costas nuas
no granito forte!

teus braços poderosos
seguravam meu corpo
meio desfalecido,
banhado por beijos...
infinitos...

senti que era azul!
fundiste-te em mim
e apoderaste-te de uma alma
que ja era tua

salto pelo universo
sem alma.
pasesseio num tempo
mais ou menos passado
mais ou menos presente
mais ou menos futuro

Dias tristes e banais


Dias tristes e banais
sao começos de longas noites
A chuva que oiço cair
é o teu choro em tempestade de inverno
suspirando como o vento forte na minha janela
esperando que ela se abra para ti!
Deixas cada rasto do teu sofrimento
lento que ti morre por dentro
embalada pela estrada do teu medo
suplicando pelo verbo do perdão!
Choras lágrimas de sangue que escorrem
pelas tuas mãos vazias cravadas de espinhos
Como se balas minhas fossem

cravando-te em cada pedaço do teu corpo!
Porque só agora percebeste que o teu mundo fui eu
mas que o meu universo jamais serás tu!
Deito-me a escrever tudo o que sinto
mas não sou escritor de fantasias
muito menos poeta de amor
Eu sinto o que sinto e penso o que penso
quero soltar as minhas palavras
e devorar a tua mente com cada letra minha
que me sai da sombra do pensamento
Vindo dos sentimentos mais profundos do meu ser
destruindo todos os teus rastos de esperança
por algum dia me voltares a ter!!!

Olho

Espero pelo amanhecer trazendo a forte
Luz para que possa ver-te.
Ilusão dos meus olhos e do meu pensamento...
Olho e aproximo-me... sei que não é.

Guiam-me longos fios
Ocultos... por ti suspensos.
Sigo e até ti chego.

Tudo é estranho, mas real!
Omito o que posso estar a sentir
Mencionando a mim própria que “é
Utopia”.

Inexoravelmente confronto-me com o
Turbilhão de sentimentos que
Obrigam os meus olhos a mudar de
Direcção assim que em ti
Encontram a perfeição.

Talvez um dia deixarei de te olhar, sem que
Inesperadamente, os meus olhos fujam.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

O primeiro momento


Poderei eu arriscar a minha sorte nas palavras que nunca te direi?Nos gestos mais puros do meu amor?Na solidão que invadiu o meu ser, e imortalizou a tua alma numa aguarela de cores claras. Poderei eu abdicar de tal sonho imaculado nas paredes nuas do meu pensamento, no meu mar envolto em mãos de papel e luas de cetim? Deixa-me tocar-te, deixa-me voar em ti, deixa-me mostrar-te em prosa, a inspiração da minha poesia...

Contos

Adoro Contos. Porque são Contos. Porque são curtos.
Porque não prometem ânsia ao coração acelerado, que suspira pelo desfecho da história.
Porque podem saborear-se de um só trago, como um copo de água num dia de verão cheio de sede.
Mas não saciam...quero sempre mais...será que Nataniel conheceu Clotilde?...Será que a Senhora que espera deixou de esperar?...Quero mais.
Todavia, já olhos de cão azul espreitam. E a curiosidade cresce, e Clotilde é esquecida.
Adoro Contos. Porque são Contos. Porque são curtos.

Insónia

Inimigo, o Colchão. Do Sono que vem, ao qual o Colchão não a deixa ceder.
Mas até o Sono veste a capa de maldito. E a ele o Colchão suplica que a deixe partir.
Perdida nesta batalha, ela vive aventuras de papel. É Rainha do Sul, é Olhos de Cão AZul. É Mulheres do meu Pai, é Cem Anos de Solidão.
Mas a amargura volta-lhe ao peito, quando a madrugada chega e o Sono já não tem lugar. E as aventuras de papel não podem continuar, pois a realidade tem de avançar.
Todas as madrugadas peço à realidade que se demore um dia mais e me deixe ser filha pródiga da noite. Só um dia mais.