Apagam-se as luzes
Com as estrelas
Encaixadas nos quebra-nozes.
A noite enfeita-se de negro
Porque as memórias
Só dão filhos na escuridão
E a lua é a madrasta má
Dos meus sonhos de encantar.
Fecham-se os olhos
Porque o dia
Tem luz a mais
Para leres estas linhas tão sombrias.
Morram as sombras
Que as paredes querem-se nuas!
Deita-te no chão…
Quero ficar a desenhar a carvão
O teu corpo vestido de asfalto
até ficar sem pilhas nos dedos.
Tens ganas pelo limite?
Então saltamos os dois despidos de miolos
daquele penhasco afiado
De onde gritei um nome esquecido
3 vezes sem o cansar.
Depois deixo que
Grites 5 vezes o meu novo nome
Quando o chão nos abrandar a queda
E te partir os dentes.
Não acreditas nas minhas doces promessas?
Não tenhas medo de me deixares com feridas profundas
Porque há muito que a escuridão
Esfola-me os joelhos.
E se é verdade que nas minhas veias
O sangue corre com pressão alta nas despedidas…
É mentira dizer que o meu coração explode
Só porque tu também me vais dizer adeus no fim da corrida.
Já rasguei muitos quilómetros
Com ele em bicos de pés…
Chegar a ti
É só mais um metro de alma perdida.
Porque me perfuras o ventre
Com flashes lânguidos
E não me abres à queima-roupa?
Odeio esperar desejos
Com a saliva batendo-me à porta!
Dizes que estou a chorar?
E então?
Bebe-me as lágrimas num copo
E imagina-me a soltar gargalhadas pelo nariz!
Eu tenho espaço na minha boca
Para os teus beijos
E quero-os já!
Hoje a poeira do chão
É só minha…
Amanhã serás tu o pó
Que ficará por soprar.
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
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7 comentários:
Daniela, tu pareces ter o dom de me por a pensar nas tuas palavras:)
E isto é definitivamente um elogio.
Aliás a qualidade dos poemas no geral tem sido muito boa.
gostei, precisei de o ler foi algumas vezes para conseguir dralhe um sentido (que provavelmente nao sera o teu). e so por teres falado em desenhar a carvo...
ja me rendi a ti
Ih páh...gostei. A sério. Gostei de ver frases doces intercaladas de frases mais acutilantes.
Apesar de achar que cada um sente consoante as suas vivencias, este poema fez-me lembrar um namoradinho que tive algures no passado e que me abandonou por medo de me magoar, de me fazer chorar, de me fazer mal de algum modo, só me apetecendo gritar-lhe: magoa-me, porra!
LOL!
Mais uma vez, adorei o poema. Primeiro sentia-me embalada e de repente parecia que me tinham dado uma bofetada! LOL! A sério, mexeu muito comigo, fiquei pregada ao ecran...
Arieugon
Fico feliz por saber que os meus poemas, gostam de mexer com os pensamentos :)Acho que a poesia torna-se mais envolvente quando não se revela por inteiro...
Obrigado pelas palavras
Ursula
A ideia quando escrevo um poema assim...é ocultar o que estou a sentir, mas levantando sempre um pouco o véu:)Costumo dizer, que o meu escudo...como normalmente sou o Eu do poema,uso máscara nas palavras...
Obrigado pelo apreço e pelo rendição:)
Vanadis
Podes chamar-me por um nome que algumas pessoas costumam usar para me definir...poeta das palavras aguçadas;)he!he!E sou..um pouquinho.
Conseguiste apanhar a ideia do poema...é mesmo uma doce bofetada dirigida a alguém.
Obrigado pelo apreço
beijinhos a todos
daniela pereira
Cara Daniela, conseguiu captar-me a atenção, fiquei algum tempo a pensar no seu poema aqui postado. Permita-me que explane aqui um pouco a minha opinião, uma vez que senti-me num "fio de navalha" enquanto li-a o seu poema. Senti melodias de raiva e de vingança! Apesar de não achar este poema "o poema" ou aquele poema da Daniela, admito que este poema fê-la sentir-se melhor após a sua concretização... é que tanta conceptualização negativa dentro de si...não seria rico para si!
Este foi apenas o primeiro poema seu que li, espero ler mais...
Abraço
Coimbra
Confesso que no momento em que escrevi este poema senti sim alguma raiva...
Mas normalmente esta raiva que surge num momento, quando é libertada aqui...em cheio no papel facilmente passa e dá lugar a uma tristeza que com duas ou tres lágrimas fica insignificante em pouco tempo e a consequência é um novo sorriso.
Existe raiva...nunca vingança, porque a vingança é um sentimento que não combina comigo. A poesia é a minha terapia...anti-ódios...anti-raivas..anti-dores...
Sou uma mulher de palavras..odeio o silencio e tudo o que sinto sai sempre cá para fora de uma maneira ou de outra ...:)
Obrigado pela leitura e pelas palavras
beijos
Daniela Pereira
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